sábado, 16 de novembro de 2013

Poema: Mensalão




Agora sim, o Brasil reagiu
Tomou posse daquilo
Que nunca quis enxergar
E fez justiça como nunca se viu.

Hoje vi o matuto se alegrar
Ouvi a vizinha comentar
E sorridente, presenciei uma criança murmurar:
"Toma, cambada de safado, prisão já!"

O Brasil fez justiça como nunca se viu
Que divulguem os jornais 
E cada programa de televisão
Apesar de muito tempo: 
"Viva o extraordinário,  o Santo Mensalão!"

Por meio dele
Vimos um fantástico acontecimento
Um Brasil que ainda se pode dar jeito
Com gente honesta, de visão e de bons sentimentos

Vimos acontecer a justiça
Mesmo que tenha sido devagarinho
Surgiram as primeiras faíscas
E começou a nascer o fogo
No coração da gente bem envolvida
Gritando que essa terra pode ter leis
E que necessitamos de muitas conquistas

Hoje quero apenas dizer:
Obrigado mensalão!
Sua existência foi necessária
Para começar o conserto dessa nação
Trazendo assim, um pouco de justiça
Para dar cabo à corrupção.
                      André Santos Silva


Comentários do autor



   Moramos num país que amamos e temos uma grande necessidade de mudanças. Somos brasileiros e, apesar, desse sentimento, nos sentimos desacreditados com tantas fatalidades políticas que acontecem diariamente.
   Esses fatos nos proporcionam conviver com sentimentos de ilusão e nos levam a acreditar que  nossa nação é uma terra sem lei, onde o que prevalece é a corrupção e a falta de estrutura para se viver dignamente. Afinal, a dignidade começa na necessidade de oferecer ao país a cara que acreditamos que ele tenha. E o que é que temos presenciado ultimamente? A resposta é simples e precisa: um Brasil de desordem!
   No entanto, surge uma luz no fim do túnel: o julgamento do mensalão. E o que ganhamos com isso? E mais uma vez podemos dizer com precisão: ganhamos o direito de acreditar e voltar a sonhar com um Brasil que ainda tem jeito. Um Brasil que a justiça é digna, e não cega, traz aos brasileiros o direito de ver atrás das grades aqueles que por algum momento não fizeram jus ao voto livre que receberam da grande massa, pobre ou rica, que um dia defendeu a ideia de mudanças significativas nessa "terra de gigantes"
   E viva o mensalão! Fato extraordinário que conseguiu colocar, por enquanto, uma pequena etapa dos muitos que assolam o nosso país, e que deturpam a ideia de uma verdadeira política e nos faz acreditar que política é sinônimo de roubo, corrupção. E por isso tomamos nojo da mesma.
   O fato feliz é que a banda começou a tocar diferente e mais animados podemos olhar para o horizonte e dizer: comigo não, violão!



sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Poema: Hoje é dia de alegria



Tristeza, hoje não!
É dia de festa 
E de alegrar o coração
De abrir a janela 
E deixar o sol entrar
De ouvir uma boa música
E se emocionar
Hoje é dia de trazer à tona
As boas lembranças
Dos momentos bem vividos
E não se lembrar 
Dos abismos e empecilhos
Hoje é dia de correr com as crianças
De sorrir das besteiras
E falar outras tantas
É dia de reunir a família
Apenas por estar ali
Mesmo que não se tenha
Motivos para sorrir
É dia de celebração
Por isso, tristeza, hoje não!

Hoje é dia de alegria
Então, pegarei o meu guarda-chuva
E descalço e feliz e sem luva
Mesmo que seja 
Por motivo nenhum
Vou tomar banho de chuva
Deixar emanar a alegria
De um adulto que se contagia
Com a certeza de que a vida
É a mais pura beleza
E não pode ser vazia
Por isso, tristeza
Vá para bem longe
E deixe de agonia.

Hoje é dia de festa
Portanto, a alegria
É o risco que nos interessa.
              André Santos Silva


Comentários do autor

   Quanto vale a alegria por estarmos felizes? Não sei! Talvez aprendamos a calcular, ou estimar um preço, no momento da nostalgia. Só sentimos que a alegria faz bem quando estamos tristes, ou que a tristeza destrói, quando nos lembramos dos momentos de felicidade.
   Então, a opção que nos resta é sermos felizes e buscarmos a cada dia a vivência das coisas mais simples da vida e, num instalo, perceberemos que isso sim é felicidade.



quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Poema: Beleza



Olhar, 
respirar, 
viver
e contemplar
o ar que nos invade
pela beleza do lugar.

Sentir a natureza que chega
pela brisa leve da manhã
e a vida que acontece
com sabor de maçã, 
romã, 
hortelã...

Correr por entre a paisagem
sentir sua beleza e imensidão
ver a vida que ali acontece
com tamanha precisão.

Enfim, descansar
ter no coração a alegria
e o colorido do lugar
fazer nascer na vida, flores
e a alma adubar.
                    André Santos Silva


Comentários do autor

   A natureza é uma grande fonte de inspiração para a vida de qualquer ser humano. Por meio dela percebemos a qualidade do projeto arquitetado por Deus. Mas nem sempre é assim!
   Seja por alguma razão, que talvez, fuja da própria razão, o homem se esquece que nessa vida o que mais importa é a "vida".
   Assim, somos levados a acreditar, que o cada elemento, aqui existente, tem um papel fundamental na vida do outrem. O homem precisa do meio ambiente e o ambiente, precisa do homem. Nessa interação de energia, a vida acontece e novas experiências surgem.

*Nota: A imagem utilizada nessa publicação foi pintada pelo jovem maiquiniquense Almir Vilela Ferreira. 



segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Poema: Decisão



Hoje decidi partir, ganhar o mundo 
E seguir por um caminho novo
Mesmo que eu viva 
Os sonhos dos tolos.

Quero levar comigo
As lembranças do que já consegui
E junto à vida viver emoções
De coisas que ainda nem senti.

Pronto! Meu ônibus chegou.
Ele tem a marca da vida que eu quero
Do bem que almejo
E dos valores que venero.

Agora já posso ir
E com certeza, hei de olhar pra trás
Verei com o tempo o que acertei
E os erros que não poderei cometer jamais.
                                  André Santos Silva


Comentário do autor

   O poema "Decisão" traz uma reflexão a respeito da coragem que devemos ter em relação a busca do caminho novo, que julgamos importante para alcançarmos a nossa felicidade.
   Cada ser humano traz dentro de si uma força intensa que o impulsiona a novas conquistas. Cedo ou tarde, nos sentimos motivados a buscar os nossos sonhos. Isso nos torna seres espetaculares! 



sábado, 9 de novembro de 2013

Poema: E a mala?



O nosso caminho está cheio
Daquilo que colocamos  em nossa mala
Pode ser que seja, apenas, peso
Ou uma vida futura bem realizada.

Quando partimos à luz da alvorada
A depender de como saímos
Parte também a nossa alma
Pode ser que ela vá sorrindo
Ou viaje triste e pesada.

E pensativos caminhamos
Quebramos caminhos e abrimos estradas
Seguimos uma luz que se aponta ao longe
E que nos mostra uma nova chegada.

E assim transcorre a vida
De caminho a caminho, de mala em mala
E viajamos com a alma leve
Ou erroneamente com uma carga pesada.
                             André Santos Silva


Comentários do autor

   Todos os dias podemos traçar caminhos, abrir novos horizontes que nos levarão a novas descobertas e experiências de vida.
   Saímos muitas vezes sem rumo, direção e acompanhados pelo desejo do coração partimos em busca das novas conquistas que aos poucos são apontadas pelo caminho que traçamos. Eis aí a grande diferença, fator conhecido como o "X" da questão.
   Como eu saio? O que busco? Como busco? Ao que me apego para ir além? Quais são os argumentos que motivam a minha caminhada? Como está a minha alma: leve? Cansada? Suave ou pesada? 
   Cabe a cada um buscar na nova caminhada, a sutileza no caminhar. Traçar suas metas, ter os pés no chão e com otimismo (e não ilusão) começar e se preciso recomeçar.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Poema: Trigêmeas



As três irmãs saíram de casa
Foram pruma festa bem bacana
A primeira se chama Rita,
A segunda Gioconda,
A terceira e mais tirada
É conhecida como Ana.

Ana ou Anadete
Tem o gênio muito forte
Gioconda é a mais calma,
também é firme e dócil
Já Rita, a assustada, tem medo 
De ficar mal falada.

Nasceram no mesmo dia
Foram criadas pelos mesmos pais
Tiveram o mesmo carinho
E como os dedos, não são iguais
Elas também se diferenciam 
Em tudo que fazem em seu dia a dia.

Ana é apressada
Gioconda é mais ainda
E Rita, a assustada, se apressa
Por ter medo de briga.

Gêmeas idênticas
De gosto um pouco parecido
Quando se arrumam, abalam
E se esquecem dos perigos.

Ana quando sai, logo se solta
Rita, se chateia e envergonhada 
Pede para vir embora
Gioconda depois de umas duas
Não enxerga nada a sua volta
E não escuta os pedidos
Das irmãs que se apavoram.

A festa se acaba
E para casa, as três voltam caladas
Mas tudo há de ficar bem e a vida arranjada
E mal amanhece o dia, elas já estão arrumadas
Afinal, vida de irmão é mesmo assim
E se são gêmeos, meu Deus!
A confusão é dobrada.
                     André Santos Silva


Comentários do autor

   O poema trigêmeas traz aos leitores a simples reflexão da composição familiar. Somos membros de uma mesma família, recebemos o mesmo tratamento, no entanto, apresentamos características singulares, existentes em cada indivíduo.
   Essas diferenças são notadas diariamente por meio do temperamento, personalidade, escolhas, valores morais e outros aspectos perceptíveis... 





terça-feira, 5 de novembro de 2013

Poema: Papo e diversão



Três senhoras sentadas
Enquanto duas riam
A outra conversava
E num clima de criança
A bagunça começava.

Uma falava da infância
E duas davam gargalhada
E logo, sem pestanejar
A mesma história recomeçava
E as duas senhoras novamente
Esvaiam-se em gargalhada.

Das três senhoras 
Que ali permaneciam sentadas
Uma era surda e a outra 
Nada falava
Apenas liam os lábios
Da senhora que se expressava.

Então, de onde é que vinha
Aquela medonha risada,
Se uma não ouvia,
E a outra não falava?

Foi quando entendi
Que as duas velhinhas ali sentadas
Tudo viam e nada passava
Enquanto a velhinha interagia
As outras duas mijavam,
Sorriam da brincadeira
E não entendiam nada. 

E as três velhinhas ali
Permaneciam sentadas
Enquanto uma interagia
As outras, apenas, mijavam
E felizes da vida 
Soltavam gargalhadas.
                        André Santos Silva


Comentários do autor

   O poema Papo e diversão é uma metáfora de uma fase da vida humana que retrata a inocência do homem ou da mulher. 
   O texto traz como ápice a riqueza humana em tornar a realidade, a ausência de memória, uma fase vivenciada sem malícia. No entanto, é importante que haja um zelo maior para que os acontecimentos simples (desencadeados por qualquer ser humano) não se tornem complexos e vexatórios.
   Em qualquer etapa da vida o ser humano deve ter os seus direitos respeitados para que possa viver dignamente.