sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Poema: A língua da gente



A língua da gente é um caso sério
E se na boca não consegue ficar parada
Traz chuva de inverno em tempo de verão
E causa um mau tempo em dias de beleza ensolarada.

A língua na boca também pode ser
Grande instrumento de ações coordenadas
Daquelas que espalham a boa esperança
Em momentos turvos da vida desenfreada.

E se de repente a tal danada
Não conseguir, quieta, na boca ficar
O indivíduo deve parar e refletir
Que chegou a hora de se sacrificar.

Caso não aja assim
E não se prive de sua língua zelar
Viverá uma vida de galho em galho
E terá que fugir para não se enrolar.
                               André Santos Silva


Comentários do autor


   O ser humano tem uma dos mais  belos e importantes instrumentos: a língua - instrumento eficiente de comunicação, que nos possibilita a interação com os demais seres.
   Portanto, é importante que cada indivíduo enquanto,agente social, desenvolva suas habilidades de linguagem, levando em consideração a seriedade que a mesma exerce sobre o meio em que cada um se encontra inserido. Para que, de fato, a língua não se torne um fardo.

Veja o poema a seguir:

   Língua
   (Caetano Veloso)

   Gosto de sentir a minha língua roçar
   A língua de Luís de Camões

   Gosto de ser e de estar
   E quero me dedicar
   A criar confusões de prosódia
   E uma profusão de paródias
   Que encurtem dores
   E furtem cores como camaleões
   Gosto do Pessoa na pessoa

   Da rosa no Rosa
   E sei que a poesia está para a prosa
   Assim como o amor está para a amizade
   E quem há de negar que esta lhe é superior
   E quem há de negar que esta lhe é superior
   E deixa os portugais morrerem à míngua
   Minha pátria é minha língua
   Fala Mangueira
   Flor do Lácio Sambódromo
   Lusamérica latim em pó
   O que quer
   O que pode
   Esta língua
   Por meio.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Poema: Quando chegar a velhice


Quando velho eu for
Não quero a vida perder
Vou lutar com ânimo e vigor
Para grandes coisas fazer.

Quero enxergar a vida
Apenas, com mais experiência
E não vou, nunca e, jamais
Perder a minha vontade serena.

Na velhice desejo contemplar
A beleza das mais diversas flores
Enxergar, mesmo com a visão turva
A sua grande mistura de cores.

Quero sentir o cheiro de terra molhada
E se possível, tomar um banho de chuva
Sentir o quanto a vida ainda em mim cabe
Deslizando em minh'alma como uma luva.

Quando velho um dia eu for
E sentir o meu coração bater
Quero não morrer, apesar da dor
E viver o quanto merecer.
                              André Santos Silva



Comentários do autor


   É muito comum perceber nas pessoas a ausência de vida ou de perspectiva para a vida, quando se vive além da juventude. É como se uma nuvem negra pairasse e trouxesse a negatividade da existência humana, simplesmente, pelo fato da obtenção de uma idade avançada. Logo surgem o desânimo e o desconforto no indivíduo que passa a enxergar a velhice como um fardo pesado e difícil de carregar. 
   Em qualquer fase da vida o ser humano deve se jogar no desafio de viver e buscar sempre a motivação necessária para continuar trilhando sua existência. Enquanto ao tempo, não devemos nos preocupar, pois uma coisa é certa: ele nos trará lições e grandes experiências.
   E viva a vida!


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Poema: Alvorada



Na alvorada do dia
De repente, tudo muda
O dia nasce com mais brilho
E lá vem o espetáculo que, de novo, nos inunda.

Que bom seria se com ele
Nosso humor também mudasse
E a vida ressurgisse mais intensa
E a felicidade sempre nos alcançasse.

Lá se vai a alvorada
E em nós fica a beleza que ela deixou
E que estejamos firmes e pacientes
Para vivermos o dia com mais pudor.
                                    André Santos Silva


Comentários do autor


   Na beleza do dia vemos a grandeza da vida. Por meio dele devemos enxergar as tantas possibilidades que a vida nos oferece em prol de nossa felicidade.
   Que possamos aproveitar mais cada momento de nossa existência e criar com decência, verdadeiramente, grandes e intensas possibilidades para vivermos uma vida tranquila e com qualidade.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Poema: Encher a pança



Não se anime não, João!
Hoje, essa vida num tá mais de confiança
Quem antes prometia o céu e a terra
Hoje só pensa em encher a pança
E ainda faz uns discursos vazios, faça sol ou frio
Vem com um sorriso que é pura lambança.

Não fique nervoso, João!
Mesmo que não tenha mais em quem confiar
Estar bem é virtude para sábios
Que não querem o tempo desperdiçar
E ainda levam a vida sorridente
Sem precisar pestanejar.

João, não fique nervoso!
Mas também não seja sempre pacato!
Busque observar, ao seu redor, as coisas
Para que esteja bem preparado
E que ninguém jamais o domine
Com sorrisos estampados e falsos.

Siga sua vida, João!
Mesmo que, barata, ela pareça ser
Pois é melhor se molhar na chuva
Do que no intenso sol se derreter
Mas não dê confianças a muitos, pois alguns dos cabruncos 
Só querem a pança encher.
                          André Santos Silva


Comentários do autor

   Numa sociedade marcada pelos interesses individuais e egoístas do homem, somos levados a acreditar que a verdade, a cada dia, se transforma numa realidade distante. 
   Vivemos e interagimos com pessoas que não conseguem observar o outro que sofre, o necessitado tão necessitado de pão. E com isso vem à tona a necessidade em ver mudada essa realidade. Mas o que fazer, se a realidade que nós inserimos, muitas vezes, é corrompida por migalhas? 
   É chegada a hora de o homem assumir o seu posto, enquanto homem de responsabilidade social, que tem como meta defender a vida coletiva e não observar apenas um palmo que está a frente dos seus olhos. Afinal, o mesmo pau que vai em Francisco também vai em Chico.


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Poema: Transformação




Hoje não sou mais aquele menino
Que magrelo, despontou ainda ontem
Mas tenho a convicção do ser belo
Quando se vive em busca de um horizonte.

Menino magrelo do tempo de outrora
Que soube com o tempo amadurecer
Aprendeu algumas regras importantes da vida
E entre elas, nunca deixar, a tristeza permanecer.

Menino birrento do tempo de ontem
Mas que desenvolveu sua personalidade forte
Buscou no presente observar o passado
E não se jogar pela própria sorte.

O rapaz bem vistoso do tempo de hoje
Foi o menino de ontem que padeceu
Mas cresceu e tornou-se um moleque sábio
Pela luta confiante que a vida lhe deu
E as ondas, foi driblando com muito gosto
Teve, quase sempre, a corda no pescoço
Venceu o sufoco e não esmoreceu.  
                                     André Santos Silva

Comentários do autor 

   Vencer é meta para quem tem sonhos. Mas guerreiros mesmo são aqueles que se dispõem a caminhar e sob o árduo sol da manhã, conquistam aquilo que está além do horizonte.
   Esse poema traz essa realidade dos jovens que souberam, ao longo dos anos, aproveitar as oportunidades e transformar a vida em conhecimento e experiência. 
   Assim, toda realidade se modifica  e o ser humano passa constantemente por uma incrível transformação.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Poema: Confusão



Subir, descer
Começar, lutar, conquistar 
E depois morrer
Talvez, venha nessa ordem 
Ou quem sabe nem vivamos pra ver. 

Fazer, errar, aprender
Reiniciar
Ou quem sabe não mais querer
Desistir e alçar novas ideias
Talvez, nem vivamos pra ver.

Sonhar, realizar, recomeçar
Correr atrás do sonho
Ou quem sabe, mais tarde, parar
Descobrir que pelos passos dados
Não há caminhos para se chegar.

E a vida, assim segue
Com suas opções a ofertar
Mas se, de repente, pararmos tanto
Ou quem sabe, começarmos a nos acomodar
Viveremos a pular de galho em galho
E veremos que as raízes começarão a faltar.
                                      André Santos Silva


Comentários do autor 

   A vida é o nosso maior presente. Por meio dela, podemos nos organizar e, quando necessário, reorganizar nossos sonhos, pensamentos e criar novas condições.
   Afinal, é vivendo que se aprende. É tentando que se conquista. Mas é preciso garra, para não sufocarmos em nós, a necessidade de vida que cada um tem com o passar do tempo.



sábado, 15 de novembro de 2014

Poema: Superar sempre!



Há dias em que a vida da gente 
Parece ficar de pernas pro ar
O silêncio toma a alma e nos machuca
E a bela melodia não conseguimos escutar
O carro quebra poucos minutos antes da chegada
E nesse impasse, a vida parece piada, ou algo difícil de acreditar.

Daí nasce um novo começo
Que bate no peito e novamente pela vida aflora
Faz-nos enxergar tudo com mais vigor
E com essa força, partimos pra vida, vamos embora
Caminhamos por entre espinhos
E a dor, pelo caminho, passa e não mais nos apavora.

Há dias em que a vida da gente parece
Um turbilhão de mecanismos pesados
E sem coragem para enxergar o futuro
Nos apegamos às lembranças do passado
Então nos esquecemos de renascer das cinzas
E o dia que é cheio de maravilhas vira um fardo indesejado.

É nesse instante que a nossa percepção
Tem que nascer de novo e se fortalecer
Para que os emaranhados de problemas
Não nos tirem a louca vontade de viver
Assim teremos força que vença as injúrias
E um futuro que combata qualquer loucura, com certeza, vamos ter.

Quando o dia amanhecer e não parecer legal
Incolor, inodoro, insosso ou sem qualquer traço de emoção
Lembremo-nos da força que temos e que vem de dentro
Acalmando a alma e suavizando o coração
Afinal, essa vida só se vive uma vez, e da tristeza será sempre freguês
Se cada um não viver todo dia o seu momento de superação.
                                        André Santos Silva



Comentários do autor


   Como é difícil a arte da superação! Há pessoas que se frustram tanto por algo que não deu certo, que ao longo da vida, perde seu estímulo de viver. 
   Somos seres humanos com a capacidade intensa de pensar a vida de uma forma diferenciada de qualquer outra espécie viva. O fato é que, muitas vezes, agimos de forma irracional, e o que vem para nos fortalecer acaba se tornando aquela velha pedra no sapato. Como dizia Carlos Drummond de Andrade: "tinha uma pedra no meio do caminho". Quem consegue tirá-la, seguirá o caminho e encontrará o ápice da realização. Mas aqueles que se cansarem de tanto abaixar para retirarem as pedras e  se reerguerem na caminhada, nunca sentirão o verdadeiro sabor de se viver uma constante superação.