domingo, 3 de janeiro de 2016

Poema: Gente de puro sangue na veia




Na minha  veia corre sangue
Da raça do baiano lutador
Que sonha com o batente leve
Do jeitinho que sempre pensou.

Baiano de coragem e de raça
Que chora e sente cheiro de terra seca
Mas não se abate nem mesmo pela tristeza
Das necessidades em cada surpresa.

Descendente de gente arretada
Que sente coragem, mas faz batucada
Pra espantar as mazelas das lidas
Que cravam na carne e abrem feridas.

Sou homem do sertão
E não escolho vida fácil
Mas sei que a alegria da Bahia
Quebra e dá fim a qualquer embaraço.

Na minha veia corre sangue
Do nordestino e arretado baiano
E sabe que, aqui, quando se tem desgraça 
É hora de resolver as mazelas, remando. 

Sou baiano, cabra dos bons
Desses que na veia corre o puro sangue
Vivo, sofro e me divirto
E não passo, nunca, a vida reclamando.
                                         André Santos Silva


Comentários do autor


     Cada um de nós tem uma rotina. Seja leve ou árdua, todos vamos construindo a nossa história. Alguns começam, param, recomeçam. E assim a vida segue.
     Somos gente e temos a nossa origem. Seja ela do nordeste, sudeste ou qualquer outra região ou estado. O certo é que a força interior é um elemento de grande importância para a continuação do nosso batente.  




quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Poema: Jiló



Houve, em meio a nós, um tempo
Em que se tinha satisfação
Servir era um gesto singelo
De qualquer e todo cidadão
E assim a vida se construía, nada se dissolvia
Nessa selva em construção.

Os homens ajudavam uns aos outros 
E não era por obrigação
Cada pessoa era parte de um todo
Que se estava em formação
E assim a vida se construía, nada se dissolvia
Nessa selva em construção.

Os laços se fortaleciam
O respeito era valor de todo cidadão
As famílias em tempos difíceis se uniam,
Venciam tristeza e solidão
E assim a vida se construía, nada se dissolvia
Nessa selva em construção.

As amizades eram mais sinceras
Um fio de barba tinha valor em meio à conversação
A palavra por si só era registro, documento
Quando descumprida tornava-se decepção
E assim a vida se construía, nada se dissolvia
Nessa selva em construção.

Hoje, em meio a tantos rompimentos
O homem se isola e quase vive só
As relações são curtas, desonestas
Acometidas de desconfiança e muito nó
E assim segue seu rumo a vida, tal qual fera ferida
E amarga feito jiló.

 André Santos Silva


Comentários do autor


        A cada ano que se finda, somos envolvidos por intensos momentos de reflexão, que geram em nós a certeza de grande aprendizagem.  Por meio deles, somos convidados a uma belíssima viagem, em que nós mesmos, na condição de juízes, poderemos demarcar o nosso território das conquistas, ver e rever os acertos de nossas ações, enquanto seres conscientes que se encontram no mundo.
     Que nesse ano que se inicia, possamos viver intensamente as relações humanas, para que voltemos a nos interessar por aquilo que cada pessoa possui de mais valioso: o amor.



quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Poema: Esperança



Eu almejo,
sinto desejo.
Eu vejo,
e, às vezes, pelejo.
Luto, me alegro
e, às vezes, me entristeço.

Eu imagino,
sinto calafrio.
Eu percebo,
e, às vezes, vejo
um mundo cálido e vazio.

Eu sinto,
o que, talvez, ninguém 
nunca se interessou.
Eu cuido,
e, às vezes, vejo distante
a essência do amor.

Eu tenho fé,
sinto confiança.
Eu sei bem como é,
e, às vezes, vejo a esperança aflorar
num sorriso de uma criança.
                                 André Santos Silva



Comentários do autor

     A vida deve ser considerada a nossa razão maior. Por meio dela podemos alçar voos intensos e cheios de grandes expectativas. Nessas ações, que são essenciais à vida humana, é importante que nos envolvamos com os mais puros sentimentos, que, com certeza, aquecerão a nossa alma e nos trarão, de fato, a força motivadora. 




sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Poema: Madrugada



O dia finda levemente
Com ele, um silêncio paira no ar 
Vemos a madrugada que aos poucos chega
E o pensamento que começa a despontar.

A cidade dorme, o silêncio perdura 
Qualquer barulho chama a atenção
A brisa que passeia suavemente
Torna a cidade viva e cheia de emoção.

Um pensamento surge
Em meio à noite que instiga a vida
E enquanto todos dormem, repousam
O pensamento passeia com uma força sem medida.

A noite vara as horas
O céu escuro, as estrelas a brilhar
A vida, ali, passa como um filme rapidamente
Por meio do pensamento que cria asas e só quer voar.
                                        André Santos Silva


Comentários do autor

     No silêncio da noite, momento em que a cidade dorme e o barulho cessa, podemos contemplar a beleza da vida, sentindo o suave clímax dos fatos que vivenciamos em nossa jornada diária.
    Mesmo que surja uma nostalgia, podemos, por meio dela, extrair as lições essenciais para continuarmos a nossa jornada.
     Uma dica é aproveitar o silêncio da calada da noite para estruturar o pensamento e sentir quão bom e suave é a paz que dele recebemos.



quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Poema: Drama



São tantas as ações
Causadas pelas mãos do homem
E a natureza segue dando respostas
Com a falta d'água e a grande fome.

Os dramas são tantos 
Em cada canto do mundo
E o homem segue com sua ações
Que destroem e dão cabo a tudo.

Enquanto isso, ainda somos insensatos
Já, a terra responde e dá outros sinais
E nós não compreendemos seu grito de dor
Por meio de cada acontecimento fugaz.

Vemos nos olhos dos inocentes
As lágrimas que correm por insatisfação
Elas demonstram a intensa dor
Que não cabe mais no coração.

Hoje, as necessidades são tantas
E o ser humano parece não ver
O tempo mostra a ineficiência
Do indivíduo que abusa e finge não saber.

A vida aqui na terra geme e se arrasta
E as coisas já nos começam a faltar
Os dramas agora, são constantes
E na vida por um instante, é necessário pensar.

                                            André Santos Silva


Comentários do autor


    Seja em Mariana, na França ou no quintal de casa, sempre haverá um fato novo, um drama vivido por culpados ou inocentes. Mas não podemos nos acostumar com o caos que nos assola.
     O que se percebe é que o homem perdeu a direção de sua própria história. E isso traz como consequência as grandes catástrofes que assolam a humanidade.
    Portanto, é importante que cada indivíduo reflita sobre sua ações para que aconteçam novas transformações na vida e que elas nos encham de orgulho. 


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Poema: O "meu ideal seria escrever"



O "meu ideal seria escrever"
Uma poesia que chegasse longe
E que passasse por todo ser
Que vive em desalento constante.

Nela colocaria belas rimas
Que tocassem a alma de cada pessoa
Em seus versos, um enredo de esperança
Para tornar a vida sempre boa.

"Meu ideal seria escrever"
Uma poesia que incentive, que liberte
E que transcende a alma do ser humano
Quando os seus sonhos desaparecem.

Mas se na vida a minha poesia
Não conseguir a todos chegar
Mesmo assim "meu ideal seria escrever"
Uma poesia àqueles que a desejassem ler
Para que com uma nova postura possa a vida enfrentar.
                                            André Santos Silva


Comentários do autor

     O presente poema foi construído a partir do texto do escritor Rubem Braga - Meu ideal seria escrever. Por meio do poema, bem como, da crônica do autor citado, pode-se perceber com intensidade o papel importante da escrita e da leitura na vida de qualquer ser humano. Elas garantem a nossa liberdade. Afinal, a leitura e a escrita libertam o homem.


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Cordel em homenagem ao professor


    Escrito por Nilda Fernandes 
                   (mãe do meu amigo Daniel Fernandes Lima)                                       

    “Ninguém começa a ser professor, numa certa terça-feira às 4 horas da tarde. Ninguém nasce professor ou marcado para ser professor. A gente se forma como educador permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática”(Paulo Freire).

Vou iniciar um cordel
Com uma única intenção:
Homenagear meus colegas,
Companheiros de profissão.
Há dois séculos passados
D. Pedro, o Imperador,
Decretou 15 de outubro
Como o Dia do Professor. 
O Decreto imperial
Teve fama e muita glória
Mas logo virou poeira
Nas páginas de nossa história.
O decreto também criou
O  ensino elementar 
Falou em descentralização 
E em férias pra descansar.
Boas férias merecidas...
Com reconhecimento legal
Dez dias era o direito 
Do descanso anual.
Na escola do Império
Não era difícil ensinar
Bastava ter na ponta da língua
Os verbos: ouvir e calar. 
As inovações do Monarca 
Foram apenas pra inglês vê 
Formatadas em decretos
Para nunca acontecer.
Entre a  escuta e o silêncio
Forjaram  a educação
Na fornalha do certo/ errado
Com o martelo da submissão.
Mais de cem anos depois
Do decreto do Imperador
Aconteceu uma festinha
Um mimo para o professor.
Mimo aqui mimo acolá
Vamos juntos combinar:
Não são decretos nem leis
Que vão nos valorizar.
Pensando em evitar a estafa
E as doenças da profissão
Os professores fizeram 
A primeira paralisação.
Em 1963
Aconteceu a parada,
O dia virou feriado
Em data oficializada.
Foi uma data festiva 
Dia de celebração
Parecido com este momento
De bonita integração. 
Aquilo sim foi uma festa
Razão para comemorar,
Nosso calendário teria, enfim: 
Seu feriado escolar.
Mas hoje em dia  é muito difícil 
Trabalhar na educação
é muita canseira e enfado
E pouca valorização.
Veja só que paradoxo
Que destino desigual
Ainda continuamos súditos
Em plena era digital.
Se o professor é muito jovem
Falta-lhe  experiência
Ainda não tem maturidade 
Para exercer a docência.
Porém se já é vivido
E tem experiência pra dar
Não tem o perfil necessário
Está mais para gagá.
Ser professor é um desafio
No mundo da tecnologia
Pois precisa equilibrar 
Competência e alquimia.
Precisa acreditar na vida 
Com a fé de uma parteira
Pra não virar ouro dos tolos
Em casa sem eira nem beira.
“Todos são iguais perante a lei”
Está em nossa Constituição
O professor também é igual
Um Severino por profissão.
Isonomia e justiça salarial
Para  função de igual valor
Difícil é saber quanto vale 
O trabalho de um professor.
Umas vitórias  alcançadas, de fato,
Outras continuam no papel
Esperamos que elas cheguem
Antes que cheguemos ao céu.
As conquistas que tivemos
Não foram dádivas gratuitas,
Foi o saldo dos movimentos
Resultado de muitas lutas.
E para finalizar,
As pobres rimas que fiz, 
Quero tomar emprestado
Uma fala bem mais feliz, 
Do meu amigo André Santos Silva:
Poeta, professor e aprendiz:
“Fico em silêncio a imaginar
Esse mundo sem professor:
Não existiriam psicólogos,
Carpinteiros... até mesmo doutor.
E no mundo haveria uma lacuna 
Com a ausência de amor
Pois faltaria a grande estrela.
Que se chama professor. 
              Nilda Fernande de Oliveira Lima