sexta-feira, 26 de abril de 2013

Poema: Chega de agonia


Chega, minha gente!
Hoje não quero assistir jornal,
não vou me permitir nostalgia,
nem tristeza, nem agonia
e muito menos euforia.

Chega! 
Hoje não vou sentir raiva
quero tomar um banho
e descansar dessa triste jornada.

Chega, minha gente!
É longa a atrocidade,
gente mente pra se dar bem
e se esquece da verdade.

Não quero ouvir falar de violência, 
de criança triste,
muito menos de Ciência
nem de gente rude e sem benevolência.

Quero abrir a janela de casa
e ver a luz do sol entrar
sentir a brisa que passa 
leve e suave, a me contagiar.

Quero proclamar a felicidade
nesse instante de caos
dar um grito de liberdade
na crueldade fatal.

Quero cumprimentar o vizinho,
sorrir e sentir alegria
aquecer os corações que sofrem
com uma bela melodia.
                    André Santos Silva




quinta-feira, 25 de abril de 2013

Poema: Esse tal coração

É mesmo mistério do coração
um dia um simples olhar,
uma dádiva, um gostar,
uma paixão.

Um gesto de doçura,
um palpitar, 
um piscar de olhos
e um aperto de mão.

De repente, 
surge o grande vilão
que vai crescendo 
e se torna imenso
aqui dentro do coração
E nos faz enxergar 
uma outra dimensão
dois caminhos, agora um
numa nova direção.

Esse tal amor, sei não!
Torna a gente bobo, manda no coração
e ainda corrói por dentro, 
tal qual um furacão.

E tudo se acalma, ou vira confusão
se os olhares se encontram, meu Deus,
que satisfação! Uma dança,
um beijo, outro beijo e um aperto de mão.

E dessa forma segue a vida, com amor e inspiração
e esse sentimento fica monstruoso
lá no fundo do coração.
E se agente se desliga... aí não aguenta não.
                             André Santos Silva



Poema: Minha velhice

Da janela, 
vejo o movimento incessante da rua
rua que um dia, na minha juventude,
caminhei exaustivamente, 
rua que um dia reclamei em trilhar,
que me recusei a observar.

Da janela vejo a mocidade
que caminha de cá para lá
e de lá para cá
que para no caminho
conversa, rir e se diverte.

Da janela vejo
a rua que um dia trilhei sem pensar
que o tempo não para
e que a pele envelhece

Vejo muito mais do que eu queria
da minha janela:
uma mocidade que perde tempo,
que não se regozija com o instante feliz,
com o semblante da idade principal
da jovialidade que não se faz eterna.

Da minha janela, vi
vejo e ainda verei muito mais.

Só não consigo ver
um antídoto que me faça revigorar
para que um dia eu possa nessa antiga rua andar
trilhar alguns passos que se perderam
ao logo dos meus muitos anos.
                      André Santos Silva










quarta-feira, 24 de abril de 2013

Poema: Inocência

Quero cantar uma boa música
que a todos possa alegrar
trazer à tona boas lembranças
e um futuro planejar

Cantar a beleza da vida
com a inocência de uma criança
relembrar cada fase vivida
nesse mundo de esperança

Ver o eco de satisfação na alegria de viver
querer subir, voar, imaginar, crescer
ser criança sempre, na arte de fazer
encarar a vida sem malícia, apenas viver

Quero cantar a beleza da vida
tendo alma de criança
com o coração puro e inocente
nessa cadeia de lembranças.
                      André Santos Silva





terça-feira, 23 de abril de 2013

Poema: Início de inverno

Vejo ao longo dos dias
o inverno despontar
trazendo suas marcas
e ocupando o seu lugar

É verdade
o início do inverno chegou
e com ele, tenha certeza
também o amor

O frio necessário para se esquentar
uma boa companhia
um cobertor, um bom lugar
um café, um chocolate quente
ou uma leve xícara de chá

Assim, não há
brisa, frieza que possa assustar
mesmo que tenha tristeza
ela, ela não durará
é como início de inverno
inicia, mas passa já

O inverno chegou
e com ele a alegria
de estar ali juntinho
com uma boa companhia.
            André Santos Silva 






Poema: Que saudade

Que vida boa!
O cheiro da simplicidade,
a emoção de se ter uma saudade
do que foi bom
do que foi vivido de verdade

A casinha simples de barro,
ou até mesmo de sapê
a comida bem preparada
pelo simples fato de fazer

O fogão a lenha,
o preto do carvão nas mãos,
a fumaça,
a irritação do fogo 
que não queria pegar,
as panelas bem ariadas
e a comida a saltitar

A vida parecia ter mais sabor
e tudo era feito com o coração
bichos, gente, em toda a cozinha
e um encontro com emoção

A família se reunia
e deliciava com dedicação
a comida cozida a fogo de lenha 
mas com o sabor do coração. 
                 André Santos Silva


domingo, 21 de abril de 2013

Poema: Felicidade

Um passarinho me contou
que a hora tem que ser agora
que não posso deixar de ser feliz,
pois a nossa vida, meu Deus, não demora.

Um passarinho confirmou
que o futuro não existe,
o que há é o instante
e que a tristeza ainda insiste.

Insiste em tirar a alegria
e deixar a casa opaca, 
sem brilho,
vazia.

Um passarinho me contou
que a tristeza ainda insiste
em deixar sempre para depois,
o gesto de amor de ontem,
de hoje,
ou os dois.

O que o passarinho não me contou
é que serei feliz
mas soprou em meu ouvido:
"se for o desejo que sempre quis
encare a vida,
viva, lute e seja feliz".

Depois, o pássaro 
bateu asas e voou.
Então eu pensei... 
para mim a vida começou.
                André Santos Silva