segunda-feira, 20 de maio de 2013

Poema: Reclamação



O que será que nos falta
para sermos felizes?


Quanto ainda nos resta 
de descontentamento?


Será que ainda haverá tempo
para agradecermos pelo que temos,
ou ficaremos a murmurar?

Os seus sapatos estão velhos?
A comida de hoje foi repetida?
Sua calça não está mais na moda?
O seu carro já completou um ano?
Fez só duas viagens no ano que passou?
Aff! O seu celular não tem novos recursos?

Então...

Tem gente, que não tomou o café da manhã!
Manoel vendeu o almoço pra comprar a janta.
Maria, não conseguiu falar com a mãe, 
no interior da Bahia, por falta de crédito:
orçamento estourado. Sabe como é, né?
João não tem plano de saúde 
e tá há dois meses no corredor do hospital.
Vilma estuda numa escola que não tem merenda. Sua mãe é hipertensa 
e não conseguiu comprar o remédio esse mês. 
O avô do Zé tem labirintite.
A família de Jaime é portadora da Distrofia Muscular de Duchenne.
Helena sofre com os filhos alcoólatras.
Marcos da eletrônica tem leucemia e sua mãe câncer de mama.
Valdo morreu por falta de vitamina: passava fome!
Carlos faz hemodiálise a cada dois dias.
Bianca tem lupos e sua filha nasceu cega.
Beto não acha emprego e sua esposa está de cama.
Mara não tem salário fixo e seu filho cadeirante perdeu os movimentos dos braços.
Juraci não tem casa própria e está sob aviso de despejo.

É! E ainda tem gente que diz que não é feliz.
                                                   André Santos Silva






sábado, 18 de maio de 2013

Poema: Linda Pétala



Da janela, posso ver
o vento que passa,
que arrasta e que não disfarça.

Da janela, 
sinto a brisa leve que passa 
anima e enche-me de graça.

Da janela, sinto ainda, 
o vento que sopra,
que estremece e que revigora
e faz sumir o calor intenso 
que se fez por horas.

Da janela, vejo as flores a bailar,
cada uma em seu lugar
dançando a canção da vida
num momento de se alegrar
saudando as horas de vida
da linda pétala que acaba de chegar.
                            André Santos Silva






quinta-feira, 16 de maio de 2013

Poema: Homenagem aos garis



Lá vai o gari pela cidade
com sua astúcia e malandragem
varre aqui, varre ali
deixa tudo limpo
e não para de rir.

Sua malandragem é arte de se esforçar,
canta o dia inteiro, enquanto limpa o lugar
cata uma lata, uma caixa, todo lixo que há.

Sua missão começa, antes de o dia raiar,
seja varrendo, ou colhendo o lixo,
o que importa é limpar.

Debaixo do sol, cumpre sua tarefa 
e sente prazer ao terminar,
observa a cidade e sente no peito
tamanha alegria que há
ao ver a cidade limpa e organizada:
que beleza de lugar!
                           André Santos Silva




Poema: Quanto custa?



Quem pode medir o amor, 
ou qualquer característica de zelo 
advinda de suas ramificações?

Quem pode calcular, em dinheiro,
o prazer de viver, de estar ao lado de quem ama,
de ter a vida quando muitos não a têm?

Se compreendêssemos, 
ou pudéssemos decifrar os mistérios
de afeto de um pai, 
o carinho aconchegante de uma mãe, 
o convívio da família,
um abraço gostoso de um irmão,
um beijo esperado da namorada, 
o valor da vida.

Que valor isso tem? 
Quanto em dinheiro, isso pode custar?

Talvez nenhum economista,
cientista, físico, químico, matemático, 
historiador, doutor, antropólogo,
ou qualquer outro ramo de estudo,
consiga encontrar uma forma,
fórmula, cálculo, um traquejo, nessa descoberta.

Porque nesses assuntos,
o professor é o coração.
                       André Santos Silva 




quarta-feira, 15 de maio de 2013

Poema: Sonhar



Nessa vida quem não sonha: 
não cresce,
não tropeça,
não ganha resistência
para vencer as arestas
que se abrem ao caminhar.

Nessa vida quem não sonha:
não vira gente que pensa,
que luta,
que tira o pé do chão 
e caminha.

Nessa vida quem não sonha:
não vive,
não corre riscos,
não pensa
que um dia a vida pode ser melhor.

Mas nessa vida, quem sonha
pode ser que viva uma frustração 
de nunca ter tido o sonho realizado.
No entanto, guarda a certeza e a capacidade
de que sonhar um sonho lindo
é o início de tudo.
Assim, a vida a acontece.
                        André Santos Silva




terça-feira, 14 de maio de 2013

Poema: Manhã



Lá vai o homem na direção do rio
com o pensamento ainda frio
sob a luz de uma manhã bela, singela.

O homem luta com o pensamento
que corre alto, tal qual o vento.

O rio passa, o pensamento desperta
e o sol ilumina com luz e brilho
pelos fios das pequenas arestas.

A natureza, perfeita, ali
e um novo pensamento tende a surgir.
Ele imagina a beleza daquela anunciação
e num suspiro, sente paz no coração.

Vê quão grande é a mão
que modelou tal perfeição
com cores alegres, vivas,
meu Deus, que satisfação.

Depois de refletir e ver
que a vida ali se faz constante
volta pra casa livre, vivo, flutuante
e que a cada dia segue a conquista
em busca de um novo horizonte.
                                André Santos Silva





domingo, 12 de maio de 2013

Poema: Mãe - anjo de Deus



Quem poderá, um dia,
decifrar os mistérios de ser mãe?
Quem poderá medir o amor que há
nesse peito que amamenta
e se transforma em amor por toda uma vida?
Quem poderá compreender esse ser
que se rasga, se sacrifica, se abre inteirinha 
e se possível, vira o corpo pelo avesso
apenas pelo desejo de dar a luz?

Ah, mãe! 
Se todos os homens desse mundo
tivessem o seu olhar, a sua delicadeza 
e o seu conceito de vida!
O mundo seria mais belo
e a paz, com certeza, uma realidade.

Mãe, mamãezinha!
Bem que você poderia ser eterna,
ou quem sabe, duas, três... várias.
Mãe deveria ser como as estações do ano,
que mudam constantemente,
e tornam os dias mais belos.

Enquanto não conseguimos decifrar
os mistérios desse amor incondicional,
vivemos na terra sob a proteção aconchegante
desse anjo criado por Deus
e titulado como mãe.
                                 André Santos Silva


Feliz Dia das Mães!