segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Poema: Veneno




A maldade é um veneno de poço fundo
De onde emana tal qual um furacão
O sentimento de desejo profundo 
Que dilacera e cega qualquer visão.

Ela anda com o sujeito 
E demora a se esvaziar
Vira antídoto que o sustenta
Tira-lhe os valores e a essência 
E continua em seu peito a se instalar.

Nesse trajeto que faz
A maldade vai crescendo
Do sujeito tira a paz
E o coração, bruto, não é capaz
De perceber que segue morrendo.

Quem vive assim segue seu caminho
E a passos lentos vai se enrolando a cada dia
No fundo da alma contempla ilusão
E sempre traz em si uma tensa nostalgia
A maldade que, ora traz, que o faz em instante perder a paz
Em sua vida vira sentença e agonia.
                                    André Santos Silva



Comentários do autor



   Viver é uma arte que requer de cada um o incrível manejo para driblar e lidar com as intensas provas do dia a dia.
   Nesse universo de desafios, cada ser humano é convidado a doar-se, dando o que tem de melhor para a construção de um ambiente pacífico de convivência humana.
   É certo, que em meio às grande batalhas, sempre somos envolvidos de sentimentos que necessitam de conduções sérias (exercícios constantes) para que não nasça em nós a ação da maldade, que tanto prejudica o convívio entre o homem e o universo.



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Poema: A poeira que se fixa



A poeira que se fixa nos pés
É da experiência de vida
Que se faz ao caminhar.
É da estrada longa e deserta
Pela qual, a alma cálida e fria
Em sua essência, ora tranquila,
Ora vazia, tem que passar.

Então, o que levar da vida?
A poeira que se fixa ou a história 
Que se finda a cada partida?

A estrada há de ficar,
A poeira, dos pés, posso lavar,
retirar!
Mas a história, não! 
Essa há de me acompanhar!

Posso, até, noutra estrada pisar,
Outro itinerário trilhar,
Mas a história que fiz ao caminhar,
Não adormece, não mais se envaidece
E cedo ou tarde aparecerá.
Porque história se faz mesmo
É quando a poeira, nos pés, começa a fixar.
                     André Santos Silva



Comentários do autor



       A vida se constrói ao caminhar. É por isso, que cada um de nós tem um papel essencial na criação do mundo. Fomos criados para fazermos história e, cada etapa é tomada de um intenso esforço que nos leva às conquistas.
   É importante lembrar que, cada indivíduo, pode à luz do conhecimento buscar realizar bons feitos para que se cumpra a sua missão, enquanto, peça de um quebra-cabeça, onde cada um tem total dependência do outro.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Poema: Agonia



Sai debaixo que lá vem
A fadiga de todo dia
E não cumprir os compromissos
Vira intensa agonia.

O sujeito vive estressado
E não tem muito o que fazer
Enfia a cara no trabalho
E sofre mesmo sem querer.

Carrega uma cruz "enfadonha"
E finge aguentar o peso que ela tem
Mas disfarça e segue confiante
Pois acredita ir mais além.

Quando chegar um certo ponto da vida
Em que não tiver nenhum vintém
Perceberá que em sua estrada de correria
Só acumulou agonia e tudo o que não o fará bem.
                                  André Santos Silva



Comentários do autor

   É importante que nós seres humanos vivamos cada dia de uma só vez, para que a agonia não nos tire a tranquilidade do tempo presente.
   Mas não é isso que vemos. O quadro real mostra que somos impulsionados a viver uma vida de grande agitação, muitas vezes, como alguém que corre atrás do vento e encontra apenas a fadiga do cansaço.
   É importante que aprendamos a dosar as nossas ações em busca do que queremos, para que tenhamos qualidade de vida. Afinal, não se pode viver bem se a vida se transforma num grande sacrifício.



domingo, 1 de fevereiro de 2015

Poema: Um homem e um violão



Um homem e um violão
Ao entardecer
Eis que nasce 
Uma canção.

Um violão, um homem 
O mar e uma visão
Eis então, uma inspiração
E no dedilhar d'umas simples notas
Surge outra canção.

Um homem e um violão
E à beira do terno mar
Sua música vira coração
E depois vira arte
Que expressa sua paixão
E pela música que de dentro aflora
Faz brotar, de novo, e agora
Ressurge outra canção.

Uma música
O mar e um violão
E o homem apenas observa,
Sente forte inquietação
Ele entende que os elementos se completam
E dá origem à construção.

E novamente caminha um homem
E ao seu lado um violão
O mar que calmo se mantém
Serve como grande inspiração
E de novo por meio da arte
Dedilhando no violão
Nasce ao entardecer
Novamente outra canção.
                        André Santos Silva


Comentários do autor


   Cada ser humano tem sua arte. E a vida que aqui existe, também faz a sua parte, e nos oferece talentos diferentes para a condução da mesma.
   Assim, cada elemento da natureza se transforma em peça fundamental para o desenvolvimento da arte e da pessoa, colocando-as em zonas que se interagem.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Parabéns, Padre Isael!



Nosso Deus criou a vida
E ao homem deu o dom de cuidar
Hoje somos gratos e agraciados
Com a presença do padre desse lugar
Nosso Diretor Espiritual Isael de Jesus 
Que com sua vida tem o dom de abençoar.

Menino simpático, pouco extrovertido 
Às vezes, em silêncio, é desconfiado
Sabe ser humilde e conselheiro, 
E faz desse ofício a mais bela arte
Sabe mostrar Jesus a quem precisa 
E com o dom da vida, o anuncia em toda parte.

Muito cedo saiu pelo mundo
Pois precisava trabalhar
Veio de um lugarzinho lá da Bahia
Medeiros Neto é o seu lugar
Hoje reside no Espírito Santo
E procura, a toda hora, a Boa Nova anunciar.

Sua vida é sempre uma doação
Ao projeto do nosso Deus Menino
Padre Isael é um vigário amável
Presente que veio do Coração Divino
Sua conduta de bom cristão, nos alegra o coração 
E nos causa emoção maior que o ouro puro e fino.

Durante o dia, tem tarefas árduas
Celebra missas, faz visitas e não se esgota por nada
Anima os doentes, aconselha a todos 
E vive a sua luta agitada
Pega a Bíblia, reza pelos outros e quando vive algum sufoco
Não se esquece, nem por um pouco, de nosso Deus invocar.

Padre Isael passou por algumas paróquias
Nesses dez anos de ordenação sacerdotal
Sempre foi verdadeiro a sua vocação 
E com muita doação conquistou os fiéis por igual
Andou em missão pela saudosa Bahia,
Em Goiás pregou todo dia, até se mudar para Minas Gerais.

Hoje, o Santuário Bom Pastor
Na cidade do Campo Grande
Tem a honra de celebrar a vida 
De padre Isael, nosso valioso diamante
E num gesto de uma pequena prece

Hoje, depois de dez anos, quem ganha é o Estado do Espírito Santo,
Os fiéis do Santuário Bom Pastor, na cidade do Campo Grande
Juntos, por esse vigário tão querido, fazemos uma humilde prece
Que padre Isael siga seu caminho, atento, firme 
E que de Cristo, por toda sua vida, nunca se desapegue
Para que, pelos próximos cem anos, nessa mesma data
A festa da vida sempre recomece.


Homenagem feita ao Padre Isael Sousa da Comunidade Bom Pastor, na cidade Campo Grande, Espírito Santo, em comemoração aos seus 10 anos de vida sacerdotal.

Parabéns!!!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Poema de cordel: Memórias de Campeonato




Quanta lembrança boa
Guardo em minha memória
Isso marca a minha existência
E me traz essa força que me revigora
É como um relógio que marca o tempo
E trazendo um alento, fica cá e não vai embora.

Uma memória que tenho entre tantas
Com certeza, muito me anima, de fato
E lá no fundo de minhas lembranças
Deixo vir à tona os campeonatos
Que aconteciam em nossa Maiquinique
E eu garoto com todo pique, achava mesmo um barato.

A bola rolava no campo
As pessoas ali animadas
No estádio de Maiquinique não tinha muro
E também não havia arquibancada
Mas causava uma grande alegria a todos
Que com prazer imenso, aquele lugar frequentava.

Jovens compareciam ali no campo
Também pessoas idosas e toda a população
Nesse tempo tínhamos poucos atrativos
Mas aproveitávamos a vida com emoção
Era lugar de encontrar os amigos
Assistir futebol, bater um papo e fazer uma boa gozação.

Eu também me recordo nitidamente
De uma figura respeitosa e sensacional
Que frequentava aquele lugar aos domingos
Pois curtia muito o futebol
Tinha presença forte e confirmada
Deixava sua marca registrada de torcedor excepcional.

Todo domingo era sagrado
E sentado em seu banquinho a observar
Seus olhos corriam no campo por todos os lados
E o rádinho de pilha, em seu ouvido, a escutar
Seu território era marcado, o mesmo e sempre
E distante de todos, queria silêncio, para poder se concentrar.

Não era difícil encontrá-lo no estádio
Na parte mais alta ele se acomodava
De lá assitia, atento, a todos os jogos
E concetrado, não emitia nenhuma palavra
Mas de uma coisa podia ter certeza e ficar convicto
Do banco e do rádio de pilha, não se desgrudava.

Quando estava perto para terminar o jogo
Tio Néu Santana, em silêncio, dali saía
Pegava o banco e o seu radinho de pilha
E do estádio, se despedia
Não gostava de muita muvuca
E ver bagunça, era algo que não queria.

Hoje guardo na memória essa lembrança
De um grande homem, um cidadão fantástico
Quando se inicia um jogo no campo, eu paro e penso
E me lembro dos tais campeonatos
Quando lá estou aos domingos, eu olho aquele lugar lá no alto
E me recordo saudoso, de tio Néu em seu banco, assistindo ao jogo e escutando o seu rádio. 
                                                      André Santos Silva


Biografia de Tio Néu



   Manoel Joaquim de Santana (Néu Santana) nasceu no dia 10 de junho de 1922, no município de Encruzilhada, mas considerava como data do seu nascimento o dia 16 de junho. O mesmo dizia que a data no registro estava errada.
   Tio Néu – como muitos o chamavam – era filho do senhor Herculano Joaquim de Santana e Arcanja Francisca de Souza. Ele cresceu na zona rural, numa pequena propriedade de seu pai, próxima ao Distrito de Pouso Alegre, um povoado de Maiquinique.
   Nunca frequentou a escola. Por ser um garoto esperto, aprendeu a ler e a escrever o essencial para se comunicar por escrito. Nesse período, trabalhava na zona rural e foi lá que desenvolveu suas primeiras ações enquanto ser humano responsável.
   O garoto esperto cresceu, tornou-se jovem e aos 22 anos casou-se com Josefina Pereira de Santana com quem teve oito filhos.
   Por ser um homem animado, gostava de tocar dois instrumentos: sua viola e a sanfona, instrumento o qual utilizava para animar os “bailes” na época de sua juventude.
   Algum tempo depois, mudou-se com a família para Ribeirão do Salto, município de Itarantim, onde começou a trabalhar como responsável pelo motor a óleo que fornecia energia para o lugarejo. Em 1962, mudou-se para Maiquinique a convite do então Prefeito de Macarani, Sr. Osvaldo Coelho (Vadinho Coelho), que havia comprado um motor para fornecimento de energia aos moradores da pequena Maiquinique.
   Com a emancipação da cidade de Maiquinique e a chegada da energia elétrica, passou a ser funcionário da Prefeitura Municipal no cargo de eletricista. Por ser um homem de inteligência fantástica, mesmo sem grande nível de escolaridade, fez um curso de eletricista pelo IUB (Instituto Universal Brasileiro). Logo, aprendeu a fazer instalação elétrica e pelo fato de ter facilidade em adquirir conhecimento, aprendeu a “consertar” aparelhos eletrônicos.
   Manoel Santana era um cidadão com muitas habilidades para o trabalho. Eis que surge em seu currículo, mais uma profissão: a de fotógrafo. Ele então adquiriu uma máquina fotográfica e passou a tirar fotos dos eleitores – na época os títulos tinham foto. Em seu local de trabalho, num cômodo próximo à Igreja Católica, instalou um estúdio (era como se fosse na época) e lá recebia os cidadãos maiquiniquenses, especialmente os estudantes e, também, os que precisavam de seu trabalho de fotógrafo.
   Ao mudar para Maiquinique, tornou-se um católico assíduo em  todos  os  compromissos  da  Igreja.  E  assim, assumiu seus compromissos fielmente. Um deles era ligar o som da igreja sempre alguns minutos antes de começar a Santa Missa. Regulava o som e tinha o maior zelo, para que o mesmo não saísse da frequência planejada. Quando não podia ir às Missas, tinha sempre o compromisso de ir à igreja ligar o som e após o término, voltava para desligá-lo. Era devoto de Nossa Senhora Aparecida, por isso, rezava o terço várias vezes ao dia.
   Com 70 anos, aposentou-se do serviço público e, por ter a juventude na alma, continuou trabalhando com consertos de eletrônicos, até perder a visão devido ao diabetes.
   No dia 13 de outubro de 2012, faleceu aos 90 anos, o Senhor Manoel Joaquim de Santana, Tio Néu ou Néu Santana. Deixou na memória dos moradores de Maiquinique o exemplo de um homem humilde, honesto, trabalhador, bom esposo, bom pai, dono de um coração generoso sempre disposto a ajudar quem dele precisasse.                                                                                                      André Santos Silva

Fonte informativa: pesquisa realizada com a Professora Iara Sandra Pereira de Santana – filha de Manoel Santana.
Publicação autorizada pelos familiares.




domingo, 18 de janeiro de 2015

Poema: O poeta



Sou poeta
Quem sabe 
Um sonhador
Que imagina
Um mundo inteirinho
Construído pelo amor.

Sou poeta
E quem sabe
Um maquinista 
Que trabalha com a fantasia
Mas que enxerga, talvez, de fato,
O mundo com muito mais alegria.

Sou poeta
E quem sabe nessas veredas da vida
Num encontro com outros poetas
Demos um jeito nas tantas almas perdidas.
                                         André Santos Silva



Comentários do autor



   Na beleza do que se observa nas coisas da vida, podemos planejar a própria vida. Seja por meio do sol que nasce, do dia que amanhece, da noite que cai e da vida que ressurge a cada instante. Com esses elementos, o poeta encontra inspiração para escrever e descrever o que observa. Ele nos alerta, através de sua arte - a poesia - que são tantos os momentos que a vida nos proporciona a cada dia para construirmos a nossa felicidade, que se pararmos para refletir, só temos uma saída: sermos felizes.