quarta-feira, 4 de março de 2015

Poema: As facetas da muriçoca



Vemos coisas nesse mundo
Que não dá nem pra acreditar.
Como é que pode um bicho desses
Nossa noite perturbar?
E se a gente não se previne
Passa raiva, se deprime e não consegue descansar.

No outro dia bem cedo o cabra acorda 
Sonolento e de mau humor
E se a cara aparece avermelhada
Foi das pancadas que de si mesmo levou
Tentando matar aquele pequeno bicho
Que vira monstro esquisito e faz do homem um perdedor.

Quando Deus criou essa danada
Deve ter dado a ela uma importante missão
Mas ela foi do seu caminho "desconduzida"
Por artimanhas do cabrunco cão
Que em sua astúcia não cria nada
E em tudo, e de casa em casa, sai por aí metendo a mão.

Ai do homem se não soubesse a arte
Para criar o desconfortável mosquiteiro
Passaria por noites inteiras em claro 
E arrancaria seus últimos fios de cabelo
Seria uma luta em vão, dessas que vêm de supetão  
E deixa aquebrantado o sujeito.

O homem deita pra dormir
E de repente vem a zoação
Como orquestra tinindo ao pé do ouvido
Feito uma turbina contínua de um caminhão
E se o cabra não toma uma providência
Vê a noite passar e só lamenta e vive horas de frustração.

Não dá mesmo para acreditar
Que esse bicho vindo lá das bandas do além
Consiga nos tirar a paciência de noite
E nos deixar nervosos também
Seu barulho é estrondoso como um exército
E faz o cabra ficar indigesto e perder o sono que tem.

O cão com sua grande astúcia
Querendo mesmo atrapalhar
Parece que dá um canudo de presente à muriçoca
E a ensina como o sangue chupar
A gente se previne e tapa qualquer entrada
E a bicha treina sua espetada e consegue nos ferroar. 

Deus criou tudo e fez tudo perfeito
Ele deu à muriçoca uma importante missão
Combater, talvez, outros insetos nojentos
Que causam tanto pavor e inquietação
Mas por obra do cão, o chifrudo encardido
A muriçoca vive descontrolada e sem juízo, e ainda causa destruição.
                               André Santos Silva



Comentários do autor



    As palavras são recursos importantíssimos de interação entre as pessoas. Por meio delas podemos brincar e inventar as mais divertidas situações.
   Nesse texto, o autor procura, por meio de um conto, criar uma batalha entre Deus, o cão e a muriçoca, mosquito perturbador que consegue tirar a paz de qualquer ser humano. Isso se dá para alertar ao homem que algumas medidas são importante e devem ser tomadas para amenizar o surgimento desses indivíduos (mosquitos) e suas populações que são nocivos à vida humana.
   Afinal, é em água parada que se gera o mosquito!



domingo, 1 de março de 2015

Poema: Ontem um menino



Ontem um menino descalço
Disse-me com ar de sonhador
Que chegará em sua vida um dia
Algo que tanto esperou
E tem certeza, mesmo com alegria ou tristeza
Haverá de ser um doutor.

Esse mesmo menino
Que brincava com bolinhas de gude
Se diverte e planeja, ansioso,
Ter um brilhante futuro.
Mas não se ilude por conhecer
Que na vida a dificuldade é um grude.

E assim segue a vida:
O menino esperançoso vai crescendo
E com força traz na face a certeza
Das batalhas que vai vencendo 
Para mais tarde ser um bom doutor
Desses que o bem sai promovendo.
                                André Santos Silva


Comentários do autor

    Como é satisfatório perceber que gente é feita de sonhos, de metas, de realizações. É bom também notar, que a boa gente pensa, luta e vence, mesmo tendo que driblar, diariamente, as dificuldades que surgem.
    Por meio dessas ações, cada pessoa vai construindo a sua vida e marcando a sua história, deixando registrado um grande marco, que diz que a luta e os sonhos são os principais elementos que nos motivam, constantemente, a continuar vivendo.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Poema: Vanvão



Há quem diga que do passado
Lembranças boas são retiradas
E quem um dia garoto foi
Guarda na vida muitas risadas.

São tantas as boas lembranças
Vividas por uma sadia garotada
Que em tudo fazia singela arte
E levava a vida simples e animada.

Pegava "vanvão" e prendia numa gaiolinha de barro
Fazia de registro de contador uma máquina fotográfica
Vivia feliz sua vida humilde e cheia de fantasia
Sem usar o que se vê hoje e que é pura presepada.

As crianças do tempo de outrora
Talvez cometessem erros e se desviassem do caminho
Mas os acertos que construíam por meio dessa infância gostosa
Davam respaldos para voarem e serem livres como passarinhos.
                                André Santos Silva



                       Comentários do autor


    Tenho saudades do tempo em que eu era criança e podia com toda liberdade (e com consciência) brincar de bola, subir num monte de areia, prender um vanvão e colocá-lo numa gaiolinha feita de barro e talisca de palha de coco.
     Saber que um momento de espera podia gerar um grande instante de alegria. Juntar com os meninos da rua e sair à caçada. E o prêmio? Ah, esse com certeza, era o sorriso estampado no rosto por saber que o vanvão que estava ali no buraco do monte de areia veio para fora e se alojou no plástico transparente que estava em minhas mãos. Isso significava que eu tinha um prisioneiro em minha gaiola de barro e talisca, feita com várias repartições. 
   E além disso, não tinha preço, reaproveitar um adjutor de contador de energia para utilizar como máquina fotográfica. Cada vez que a trava fazia um barulho, era uma foto imaginária. A garotada encantada fazia pose. Mas a foto era guardada em nosso coração e para sempre fixada em nossa memória.





sábado, 21 de fevereiro de 2015

Poema: Caraminholas




A cabeça do ser humano
É uma terra cheinha  de caraminholas
Nela, às vezes, moram grilos
Outras, residem minhocas que sempre apavoram.

Cabeça de gente é terra dura
E se o tempo esquenta, é de lascar
O sujeito logo fica à flor da pele
E ninguém se atreva o encarar.

Uma ideia logo se instala
E se for uma preocupação
A cabeça se toma de chamas
E superaquece o coração. 

Mas cabeça de gente é também
Lugar cheinho de alegria
De pensamentos bons e intensos
E de grandes fantasias.
                   André Santos Silva



Comentários do autor

 


    Todo e qualquer indivíduo deve ter a convicção de que, às vezes, somos invadidos por pesamentos que nos tiram da zona de conforto. Pensamentos esses ou ideias que tendem a criar situações que incomodam ou que dão origem a outros conceitos de situações que talvez nem tenham existido: surgem então, os grilos, as caraminholas, as minhocas, que nos inquietam e nos fazem perder o controle, caso não tenhamos a sabedoria necessária para (re)direcionarmos o nosso pensamento com exercícios essenciais ao controle emocional.




terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Poema: Sempre em frente



Cada passo que se inicia 
A algum lugar nos conduzirá
Já a certeza de nossas metas
Ninguém poderá confirmar.

Isso, porque o sucesso esperado
É uma conquista que exige muita garra
Em meio ao suor, alento e sufoco
Advindo d'um sujeito de cara lavada.

Sujeito que enfrenta a vida
E com coragem, desafia qualquer parada
Encara chuva, sol e abismo
E com vontade, vai trilhando sua estrada.

Os passos, então, se multiplicam
E o início, agora, apenas é parte d'uma jornada
Porque o que se vê ao longe, com mais algumas passadas
É a meta que se consegue quando se identifica a chegada.
                                               André Santos Silva



Comentários do autor


   Sou fã de gente que tira o pé do chão, caminha e traça metas. Gente que se esforça e consegue, diariamente, defender os seus objetivos e ir além do que a força permite, driblando as dificuldades e fazendo do empecilhos uma escada para o ponto de chegada.



domingo, 15 de fevereiro de 2015

Poema: Bicho-preguiça



O sujeito inventa tanta desculpa
e diz disposto sempre estar,
mas na hora do "vamo" ver
é um pega pra capá
não tem força pra nada fazer
e só pensa em descansar.

Quando, então, amanhece o dia 
o sujeito enxerga dificuldade em tudo
e se alguém o indica algo pra fazer
fica sem jeito e moribundo.
E na discussão do tal serviço
perde-se o tempo e o compromisso e faz resistência a tudo.

Preguiçoso é assim mesmo!
E aí daquele que duvidar!
Se começa uma pequena missão
Não dá conta de terminar.
E ainda afirma se queixando
d'um cansaço de matar.

Antes de findar o dia
já pensa numa cama e água fresca,
numa refeição bem apetitosa
acompanhada de uma boa sobremesa.
Agora ganhar o pão com o suor
diz ser lorota de gente besta.
                             André Santos Silva



Comentários do autor

 

Nesse mundo de "meu Deus" 
vemos situações bizarras e engraçadas, 
protagonistas que levam a vida
sem se preocuparem com nada.

Assim vão vivendo aos trancos e barrancos
e a cada dia que se passa
querem apenas mamar numa vaca
cujo leite é totalmente de graça.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Poema: Motivação



Acorde!
Levante-se!
Observe e veja o dia!
Ele é todo seu!

Ah, não se esqueça:
o céu está lindo,
a luz do sol revigora
e a brisa nos encanta!

Caminhe!
Confie!
Saia do chão,
mas não tenha pressa!

Deixe que a vida se encarregue
de tantas coisas que ainda virão.
Apenas caminhe,
respire,
observe,
lute
e confie!
             André Santos Silva



Comentários do autor


   Levantar cedo e sentir-se vivo é o primeiro passo para começar bem o dia. Depois, acrescente à vida todos os elementos de grande motivação para a nossa caminhada: fé, força e foco.
   Assim, não há há caminho que não se chegue e baixo astral que perdure!